Canadá: Menino que cresceu em caixa de guitarra lança disco de fado
Toronto, 06 Jun (Lusa)
Tony Câmara, o menino que "cresceu" numa caixa de guitarra enquando os pais actuavam, apresentou domingo a algumas centenas de pessoas o seu novo trabalho "O Fado e Eu", um CD com 10 faixas.
Nascido em Toronto há 28 anos, Tony Câmara começou a ser falado no Canadá por ser o único fadista a cantar o fado de Coimbra.
Gostava do tom, apaixonou-se pela temática da balada e desenvolveu esforços para melhorar o estilo, mesmo antes de conhecer Coimbra.
Os pais, naturais de São Miguel, nos Açores, emigraram para o Canadá, onde continuaram a cantar e, quando realizavam espectáculos, o filho ia para a caixa da guitarra.
Hoje, licenciado em Ciências pela Universidade de York, Tony Câmara - técnico superior de Saúde Pública - acha que o fado lhe preenche os ócios e "lhe aviva as cordas da saudade", especialmente agora "que estamos a celebrar Portugal".
Na região de Peel, onde reside, Tony Câmara começou a estudar tudo quanto se relaciona com o fado.
Longe vão os tempos em que ele cresceu a ouvir os primeiros discos de Carlos do Carmo ou Fernando Maurício.
"Acho que as minhas raízes mergulhavam no fado", disse à Lusa durante o lançamento do CD "Eu e o Fado".
"Gosto de ouvir a guitarra e para a minha paixão pelo fado de Coimbra, acho que Fernando Machado Soares teve a sua quota-parte de apoio, mesmo sem o saber", acrescentou Mesmo cantando no Canadá, o artista entende que há que haver muito respeito pelo fado.
"Tenho receio de ir cantar a Portugal. São capazes de pensar que não sou bom da bola".
Como tem em casa um autêntico estúdio, a mulher Mellanie, começa a interessar-se por tudo aquilo.
"Já a apanho a cantarolar alguns dos meus fados e isso é um bom sinal", vai contando, para referir que a produção deste novo CD é quase toda sua, com a ajuda de colegas seus que nem são portugueses, mas que entendem a melodia e o sentimento "que se respira no fado".
Para já, na festa que deu azo ao lançamento do CD "Eu e o Fado", juntou muita gente do que chama "Mercado da Saudade", ainda que mesclado com muitas pessoas que nunca viveram o ambiente de Coimbra ou de Lisboa.
FCG.
Lusa/Fim
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